MST: uma jornada para a agroecologia

Compartilhar

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no email
Compartilhar no pinterest

ODS - ONU

O jornal francês Le Monde definiu, em janeiro deste ano, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra como “Campeões de arroz agroecológico”. 

A luta pela Reforma Agrária no Brasil teve início em 1950, tentando responder, principalmente, às mobilizações feitas pelas Ligas Camponesas. Já nessa época, a reforma era associada ao melhor manejo do solo e vista como solução para a destruição ambiental dos latifúndios. Junto à crescente onda popular pela redistribuição de terras, foi publicado, em 1965, por Artur e Ana Primavesi, uma obra pioneira orientadora ao manejo ecológico do solo. Essa obra deu início a um movimento crítico que fez emergir diversas vertentes da agricultura alternativa, entre elas, a agroecologia. 

Em 1984, surge o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Nos primeiros 15 anos, o movimento já reconhecia que a luta pela conquista do território tinha uma ligação social muito importante com a produção de alimentos e o cuidado com a natureza. Porém, nesse período as práticas adotadas pelos assentados estavam, ainda, muito voltadas para a Revolução Verde, método dominante no Brasil e em grande parte do mundo até o momento. Esse cenário começa a mudar no início dos anos 2000, quando, através de seminários, intercâmbios, brigadas internacionalistas e parceria com instituições públicas de ensino e extensão rural, o MST expandiu sua consciência coletiva e o conhecimento acerca da agroecologia. Com isso, a soberania alimentar e as práticas agroecológicas aparecem como pauta no IV Congresso Nacional do movimento, em 2000, e passa por uma maior consolidação nos dois congressos seguintes. 

A partir disso, o MST reconhece que uma reforma agrária só é possível com as famílias assentadas e acampadas assumindo a tarefa de produzir alimentos saudáveis, diversificados e com preço justo para produtores e consumidores. Assim, forma-se a chamada Reforma Agrária Popular, uma articulação entre agricultores e a classe trabalhadora urbana. É criado então o objetivo de habilitar técnicos populares que dominassem os conceitos da agroecologia e colocassem em prática. Para isso, surgiu a rede de Institutos Latino Americanos de Agroecologia (IALAs), sendo que a primeira Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA) foi fundada no Paraná em 2005. Desde então, emergiram mais de 40 cursos voltados para a formação de Tecnólogos em Agroecologia, situados em várias regiões do país.  

Após 20 anos incorporando os saberes agroecológicos a suas plantações, o MST alcançou, conforme o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o papel de maior produtor de arroz agroecológico da América Latina. Para ter uma ideia, em fevereiro de 2020, abrangendo 14 assentamentos situados em 11 municípios gaúchos, a estimativa era colher mais de 300 mil sacas do grão. Essa produção é responsável por grande parte do abastecimento interno no Brasil, incluindo a destinação para as merendas escolares através  do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Além disso, 30% da colheita é exportada para países como Estados Unidos, Alemanha, Nova Zelândia, Chile e México. O jornal francês Le Monde definiu, em janeiro deste ano, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra como “Campeões de arroz agroecológico”. 

Durante a pandemia do Coronavírus, o MST doou mais de 2,3 toneladas de alimentos para pessoas em situação de vulnerabilidade. A experiência do MST é um exemplo de que a agroecologia é viável, sendo uma alternativa mais barata, saudável e ambientalmente segura ao agronegócio, mas também é um lembrete de que mudanças não ocorrem da noite para o dia.

Maria Moura (Colaboradora Green Nation)

Gostou dessa matéria ?

Compartilhar no facebook
Compartilhe no Facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhe no Twitter
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no pinterest
Compartilhe no Pinterest

Deixe um Comentário

Green Nation
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.