MST: uma jornada para a agroecologia

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ODS - ONU

O jornal francês Le Monde definiu, em janeiro deste ano, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra como “Campeões de arroz agroecológico”. 

A luta pela Reforma Agrária no Brasil teve início em 1950, tentando responder, principalmente, às mobilizações feitas pelas Ligas Camponesas. Já nessa época, a reforma era associada ao melhor manejo do solo e vista como solução para a destruição ambiental dos latifúndios. Junto à crescente onda popular pela redistribuição de terras, foi publicado, em 1965, por Artur e Ana Primavesi, uma obra pioneira orientadora ao manejo ecológico do solo. Essa obra deu início a um movimento crítico que fez emergir diversas vertentes da agricultura alternativa, entre elas, a agroecologia. 

Em 1984, surge o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Nos primeiros 15 anos, o movimento já reconhecia que a luta pela conquista do território tinha uma ligação social muito importante com a produção de alimentos e o cuidado com a natureza. Porém, nesse período as práticas adotadas pelos assentados estavam, ainda, muito voltadas para a Revolução Verde, método dominante no Brasil e em grande parte do mundo até o momento. Esse cenário começa a mudar no início dos anos 2000, quando, através de seminários, intercâmbios, brigadas internacionalistas e parceria com instituições públicas de ensino e extensão rural, o MST expandiu sua consciência coletiva e o conhecimento acerca da agroecologia. Com isso, a soberania alimentar e as práticas agroecológicas aparecem como pauta no IV Congresso Nacional do movimento, em 2000, e passa por uma maior consolidação nos dois congressos seguintes. 

A partir disso, o MST reconhece que uma reforma agrária só é possível com as famílias assentadas e acampadas assumindo a tarefa de produzir alimentos saudáveis, diversificados e com preço justo para produtores e consumidores. Assim, forma-se a chamada Reforma Agrária Popular, uma articulação entre agricultores e a classe trabalhadora urbana. É criado então o objetivo de habilitar técnicos populares que dominassem os conceitos da agroecologia e colocassem em prática. Para isso, surgiu a rede de Institutos Latino Americanos de Agroecologia (IALAs), sendo que a primeira Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA) foi fundada no Paraná em 2005. Desde então, emergiram mais de 40 cursos voltados para a formação de Tecnólogos em Agroecologia, situados em várias regiões do país.  

Após 20 anos incorporando os saberes agroecológicos a suas plantações, o MST alcançou, conforme o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o papel de maior produtor de arroz agroecológico da América Latina. Para ter uma ideia, em fevereiro de 2020, abrangendo 14 assentamentos situados em 11 municípios gaúchos, a estimativa era colher mais de 300 mil sacas do grão. Essa produção é responsável por grande parte do abastecimento interno no Brasil, incluindo a destinação para as merendas escolares através  do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Além disso, 30% da colheita é exportada para países como Estados Unidos, Alemanha, Nova Zelândia, Chile e México. O jornal francês Le Monde definiu, em janeiro deste ano, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra como “Campeões de arroz agroecológico”. 

Durante a pandemia do Coronavírus, o MST doou mais de 2,3 toneladas de alimentos para pessoas em situação de vulnerabilidade. A experiência do MST é um exemplo de que a agroecologia é viável, sendo uma alternativa mais barata, saudável e ambientalmente segura ao agronegócio, mas também é um lembrete de que mudanças não ocorrem da noite para o dia.

Maria Moura (Colaboradora Green Nation)

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