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E foi nesse estudo em espa\u00e7o \u00e1ridos\ne abandonados que ele passou a ter contato com o cerrado paulista, paisagem\nvegetal praticamente extinta no desenvolvimento de S\u00e3o Paulo. Uma vegeta\u00e7\u00e3o (hoje)\nruderal &nbsp;&#8211; do latim&nbsp;ruderis,&nbsp;significa literalmente entulho, e designa comunidades\nvegetais adaptadas para se desenvolver em ambientes fortemente alterados e\nperturbados pela a\u00e7\u00e3o humana, explica em seu site.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pois \u00e9, engana-se quem pensa que era tudo Mata Atl\u00e2ntica na pauliceia\ndos jesu\u00edtas. Metade era cerrado, \u201cde Santo Amaro at\u00e9 a Zona Norte\u201d explica\nDaniel. \u201cN\u00e3o por acaso, eram os chamados os \u201cS\u00e3o Paulo dos Campos de\nPiratininga\u201d, assim Santo Andr\u00e9 da Borda do Campo, S\u00e3o Bernardo da Borda do\nCampo.\u201d E esse encontro entre o artista e uma vegeta\u00e7\u00e3o que teima sobreviver\napesar da destrui\u00e7\u00e3o\/desenvolvimento urbano, gerou o projeto Cerrado Infinito.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/placas-cerrado-infinito.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17284\" width=\"234\" height=\"176\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trazer \u00e0 mem\u00f3ria dos paulistanos suas ra\u00edzes, reconstituindo\numa hist\u00f3ria da cidade pouco explorada na opini\u00e3o de Daniel. Plantar, restituir\nfoi um dos passos projeto. No bairro da Pomp\u00e9ia, Zona Oeste, onde nasceu, escolheu\na Pra\u00e7a da Nascente. E ali, junto com o que acabou se formando a Comunidade\nCerrado Infinito\u201d, com ambientalistas, artistas contempor\u00e2neos de diversas\n\u00e1reas, moradores, enxadas nas m\u00e3os e mudas colhidas nos terrenos baldios da\ncidade, se refez um pedacinho do cerrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs primeiras esp\u00e9cies foram orelhas de on\u00e7a, Ara\u00e7\u00e1s,\ncarquejas, lantanas e capins rabo de burro, que eu conhecia&nbsp; de pessoas mais antigas falarem e&nbsp; terem em seus jardins de vov\u00f4s, \u201cvelhinhos de\nbairro\u201d, brinca. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Com trilhas \u201cinfinitas\u201d\nque v\u00e3o a lugar algum, mas desaceleram o passo dos paulistanos e convidam \u00e0\ncontempla\u00e7\u00e3o. Desenhista, Daniel tamb\u00e9m fez placas com ilustra\u00e7\u00f5es das plantas\ne suas denomina\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Um \u201cartivismo\u201d como gosta de conceituar o\nartista. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/livro-guia-do-cerrado-infinito.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17285\" width=\"391\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/livro-guia-do-cerrado-infinito.jpg 615w, https:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/livro-guia-do-cerrado-infinito-300x146.jpg 300w, https:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/livro-guia-do-cerrado-infinito-400x195.jpg 400w, https:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/livro-guia-do-cerrado-infinito-600x293.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><figcaption>Guia de campo dos Campos de Piratininga ou o que sobrou do cerrado ou como fazer seu Cerrado Infinito<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cerrado Infinito tamb\u00e9m virou um livro, \u201cGuia de campo dos\nCampos de Pitatininga ou que sobrou do cerrado paulistano ou como fazer seu\npr\u00f3prio Cerrado Infinito\u201d, grande assim mesmo o t\u00edtulo. S\u00e3o 180 p\u00e1ginas com hist\u00f3rias\npessoais e 50 bel\u00edssimas ilustra\u00e7\u00f5es em preto e branco de esp\u00e9cies vegetais do\ncerrado, um registro bot\u00e2nico. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO cerrado sempre foi associado a uma \u00e1rea improdutiva. Nas\n\u00faltimas d\u00e9cadas falamos de reflorestamento sempre com uma imagem de Mata Atl\u00e2ntica\nou da Amaz\u00f4nia. O cerrado \u00e9 um desconhecido para maioria das pessoas, pela\nimport\u00e2ncia do seu bioma. No centro oeste est\u00e1 sendo destru\u00eddo pelo\nagroneg\u00f3cio, envenenado com agrot\u00f3xicos, acabando com a biodiversidade. Imprescind\u00edvel\npara a reserva de \u00e1gua\u201d, chama a aten\u00e7\u00e3o o artista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Junto com a comunidade do cerrado infinito, come\u00e7aram um\nnovo projeto em uma escola p\u00fablica na Zona Leste de S\u00e3o Paulo, regi\u00e3o de\nItaquera, jardim das Cam\u00e9lias. Foram dois anos de contato com alunos, artistas,\nnovamente enxadas e mudas nas m\u00e3os. \u201cFoi um momento muito especial e at\u00e9 hoje\nmuitos jovens entram em contato lembrando de como foi uma experi\u00eancia marcante\npara eles reconstituir um peda\u00e7o de cerrado na escola\u201d, diz Daniel.\nInfelizmente, depois de umas f\u00e9rias escolares, simplesmente cortaram todo o\njardim. A explica\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da escola foi o desconhecimento do novo\njardineiro. Sem recursos da escola u de qualquer outra fonte, Daniel lamenta\nque o projeto tenha acabado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carqueja-800x600.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17286\" width=\"466\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carqueja-800x600.jpg 800w, https:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carqueja-800x600-300x225.jpg 300w, https:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carqueja-800x600-768x576.jpg 768w, https:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carqueja-800x600-472x355.jpg 472w, https:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carqueja-800x600-320x240.jpg 320w, https:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carqueja-800x600-400x300.jpg 400w, https:\/\/greennation.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carqueja-800x600-600x450.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 466px) 100vw, 466px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas na Pra\u00e7a da nascente, o Cerrado Infinito continua. Periodicamente\ns\u00e3o organizadas programa\u00e7\u00f5es com apresenta\u00e7\u00f5es de artistas, leituras, dan\u00e7a\ncontempor\u00e2nea a c\u00e9u aberto, reunindo moradores do local e simpatizantes de toda\nparte da cidade. O evento sempre termina com um bate papo sobre o cerrado e\nplantio de mais mudas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de todo o empenho, Daniel n\u00e3o se diz otimista com a\nquest\u00e3o ambiental, mas sente que sua arte, sua atividade como ambientalista,\nainda que seja um pequeno gesto, \u00e9 importante como resist\u00eancia. \u201cN\u00f3s somos\nartistas ruderais, que assim como as plantas do cerrado nos entulhos de S\u00e3o Paulo,\nsobrevivemos nas brechas para fazer arte. Sem financiamento, sem recursos, mas\nresistindo. \u201d<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo come\u00e7ou em 2012, quando o artista Daniel Caballero estava fazendo uma pesquisa em terrenos baldios para a exposi\u00e7\u00e3o \u201cViagem pitoresca atrav\u00e9s do espa\u00e7o da minha casa\u201d. 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