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Na entrevista, ela fala sobre os desafios de ser uma lideran\u00e7a feminina na consolida\u00e7\u00e3o de novas atitudes em prol da sustentabilidade ambiental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que significa para voc\u00ea, como mulher, ser uma lideran\u00e7a na preserva\u00e7\u00e3o da Serra do Gandarela?<\/strong><\/p>\n<p>Significa estar no lugar certo e atender um chamado do meu &#8220;ser&#8221; mais profundo, no qual est\u00e1 o amor e o cuidar no sentido mais incondicional, usando minhas aptid\u00f5es e aprendizagens. Sinto que ser mulher facilita este engajamento porque estamos mais perto de saberes como a intui\u00e7\u00e3o e a sensibilidade, que s\u00e3o blindados no ser homem por raz\u00f5es culturais. A luta na qual estou envolvida intensamente h\u00e1 oito anos significa muito esfor\u00e7o, determina\u00e7\u00e3o, coragem e, principalmente, capacidade de superar diariamente a indigna\u00e7\u00e3o, a raiva, o medo e o cansa\u00e7o e transformar isso tudo que vivenciamos para preservar a Serra do Gandarela em muita a\u00e7\u00e3o e foco no sonho e na certeza de que n\u00e3o podemos permitir a destrui\u00e7\u00e3o desse lugar porque \u00e9 um direito nosso e das futuras gera\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o das mulheres ind\u00edgenas com a \u00e1gua?<\/strong><\/p>\n<p>Na regi\u00e3o da Serra do Gandarela n\u00e3o existem povos ind\u00edgenas porque foram dizimados ou fugiram quando da chegada dos vorazes bandeirantes que adentraram Minas Gerais na busca por ouro (especialmente no Rio das Velhas) e pedras preciosas. Mas conhecemos v\u00e1rios moradores da regi\u00e3o cujas av\u00f3s e bisav\u00f3s foram &#8220;ca\u00e7adas a la\u00e7o&#8221; por bandeirantes. Ao redor da Serra do Gandarela existem pequenas comunidades rurais que t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o muito estreita com a \u00e1gua porque ela ainda \u00e9 abundante e de qualidade, com dezenas de cachoeiras bel\u00edssimas. Para eles essa rela\u00e7\u00e3o faz parte da sua identidade e forma de ser e de viver no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea avalia o desafio de tornar a sustentabilidade uma pr\u00e1tica cotidiana?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um grande desafio porque vivemos numa sociedade onde as inst\u00e2ncias de poder e de gest\u00e3o do interesse coletivo (eleitos ou pagos pelos brasileiros) trabalham para atender uma economia voltada ao interesse privado de grandes grupos e empres\u00e1rios, que acumula riqueza num modelo baseado no lucro e que n\u00e3o quer a &#8220;sustentabilidade&#8221; ambiental e social atrapalhando seus projetos. Assim, n\u00e3o temos nas cidades acesso f\u00e1cil e barato a alimentos sem agrot\u00f3xico, a transporte coletivo de qualidade e ecologicamente correto, a servi\u00e7os de saneamento b\u00e1sico (que envolve acesso a \u00e1gua de qualidade, esgotamento sanit\u00e1rio e adequada disposi\u00e7\u00e3o ou reutiliza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos org\u00e2nicos e s\u00f3lidos) e n\u00e3o temos nas \u00e1reas rurais apoio aos pequenos produtores, pescadores, ribeirinhos, quilombolas, ind\u00edgenas e comunidades tradicionais, que ainda praticam (ou tentam) a sustentabilidade ambiental nas suas pr\u00e1ticas de viver nos territ\u00f3rios. Assim, mesmo que&nbsp;eu tente praticar diariamente a sustentabilidade, e toda a popula\u00e7\u00e3o fa\u00e7a o mesmo, n\u00e3o vamos resolver os graves problemas ambientais que j\u00e1 vivemos como a escassez ou colapso de \u00e1gua em muitos lugares. &nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Se voc\u00ea pudesse indicar uma atitude que pode transformar o mundo, qual seria e por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Na atual conjuntura, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de &#8220;indicar&#8221;, porque muitas atitudes v\u00eam sendo indicadas h\u00e1 muito tempo por povos, cientistas e movimentos sociais e ambientais, e nossos governantes, gestores e pol\u00edticos continuam decidindo na contram\u00e3o do que pode transformar o mundo, &nbsp;para manter um modelo econ\u00f4mico voraz sobre nossos &#8220;bens naturais&#8221; sem os quais n\u00e3o h\u00e1 sustentabilidade. Por isso vivemos ser\u00edssimos problemas na Terra, como o aquecimento global, que est\u00e1 colocando em risco a vida, n\u00e3o s\u00f3 dos demais seres, como da ra\u00e7a humana. Gostaria de ter uma varinha m\u00e1gica com a qual eu cessaria, de vez, esse modelo em todos os seus aspectos, para permitir que o &#8220;bem viver&#8221; se instaure no mundo a partir de muitas experi\u00eancias e viv\u00eancias que j\u00e1 est\u00e3o espalhadas na Terra, porque tenho certeza que a maioria da humanidade sonha com isso, anseia por esse momento e est\u00e1 pronta para essa transforma\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a \u00fanica sa\u00edda que temos.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Teresa Viana de Freitas Corujo (Teca) \u00e9 integrante do Movimento pela Preserva\u00e7\u00e3o da Serra do Gandarela, projeto voltado ao turismo de base comunit\u00e1ria. 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