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Campanhas contra o uso de agrot\u00f3xico tentam chamar a aten\u00e7\u00e3o para o \u00f4nus dessa situa\u00e7\u00e3o.<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em abril, a ag\u00eancia de not\u00edcias The Intercept Brasil publicou uma mat\u00e9ria denunciando que a Syngenta, considerada uma das maiores ind\u00fastrias de agrot\u00f3xicos do mundo, sabia h\u00e1 d\u00e9cadas dos riscos do paraquate, pesticida respons\u00e1vel pela morte de 100 mil pessoas. Segundo a not\u00edcia,<strong> &#8220;<a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2021\/04\/21\/syngenta-agrotoxico-mortal-paraquate\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Ex-cientista da Syngenta diz que seus avisos sobre o paraquate n\u00e3o foram adiante por uma \u2018conspira\u00e7\u00e3o dentro da empresa para manter isso em segredo\u2019.<\/a><\/strong>\u0301 \u0301 Os esfor\u00e7os da companhia para esconder a letalidade do paraquate estariam ligados aos lucros do produto, que seriam afetados caso a f\u00f3rmula do agrot\u00f3xico tivesse que passar por mudan\u00e7as.\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Uni\u00e3o Europeia, o uso de herbicidas \u00e0 base de paraquate \u00e9 proibido desde 2007. Na Su\u00ed\u00e7a, pa\u00eds sede da Syngenta, a subst\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 permitida desde 1989. A exporta\u00e7\u00e3o desse pesticida, no entanto, s\u00f3 foi proibida na Su\u00ed\u00e7a em outubro de 2020, quando o Conselho Federal su\u00ed\u00e7o passou a proibir o com\u00e9rcio internacional do paraquate e de outros quatro agrot\u00f3xicos: atrazina, diafentiurom, metidationa e profenof\u00f3s.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o do Conselho foi anunciada um m\u00eas ap\u00f3s a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (ANVISA), decidir proibir a produ\u00e7\u00e3o, importa\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o do paraquate no Brasil. A Anvisa j\u00e1 havia comunicado essa decis\u00e3o em 2017, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de estudos associarem o paraquate ao desenvolvimento de Parkinson e c\u00e2ncer. Devido a press\u00e3o dos setores agr\u00edcolas brasileiros, incluindo o Minist\u00e9rio da Agricultura, a Anvisa adiou a proibi\u00e7\u00e3o para setembro de 2020, tendo tr\u00eas anos de transi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2019, por\u00e9m, o paraquate ainda era o 6\u00b0 agrot\u00f3xico mais vendido no Brasil. Conforme apura\u00e7\u00e3o da<strong> <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/12\/empresas-estrangeiras-desovam-no-brasil-agrotoxico-proibido-em-seus-proprios-paises\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Rep\u00f3rter Brasil e da Ag\u00eancia P\u00fablica<\/a><\/strong>, a resolu\u00e7\u00e3o da Anvisa n\u00e3o estabeleceu metas de redu\u00e7\u00e3o de uso, nem de finaliza\u00e7\u00e3o de estoques e importa\u00e7\u00e3o do paraquate at\u00e9 sua completa suspens\u00e3o. Sem esse procedimento, o ritmo de importa\u00e7\u00e3o do agrot\u00f3xico passou a aumentar, o que construiu um estoque do produto no Brasil. \u201cO ideal \u00e9 que, iniciado o processo de banimento, seja proibida a importa\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma o pesquisador da Fiocruz, Luiz Cl\u00e1udio Meirelles.\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outubro de 2020, um m\u00eas ap\u00f3s a suspens\u00e3o entrar em vigor, a Anvisa voltou atr\u00e1s e liberou o uso do estoque de paraquate nas safras 2020\/2021, acatando a solicita\u00e7\u00e3o feita pelo Minist\u00e9rio da Agricultura. Essa foi mais uma vit\u00f3ria da for\u00e7a tarefa criada pelos defensores do paraquate, que formaram um lobby, j\u00e1 em 2017, para lutar contra a sua proibi\u00e7\u00e3o. A forma\u00e7\u00e3o de for\u00e7as tarefas para defender o uso de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 incomum. Geralmente, esses lobbies contam com o apoio das empresas fabricantes e das associa\u00e7\u00f5es brasileiras do agroneg\u00f3cio, como a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja).&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo prazo para a utiliza\u00e7\u00e3o do paraquate varia de acordo com um <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/noticias\/agricultura\/paraquat-anvisa-estoques-safra-2020-2021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">calend\u00e1rio<\/a><\/strong>, tendo datas diferentes dependendo da regi\u00e3o e da cultura, mas o per\u00edodo mais longo permite o uso do agroqu\u00edmico at\u00e9 agosto de 2021. \u201cEsse \u00e9 um agrot\u00f3xico de a\u00e7\u00e3o secante, seca e queima as folhas, faz o mesmo com a pele, as mucosas, o pulm\u00e3o\u201d, afirma a m\u00e9dica Lilimar Mori, sobre o paraquate.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dicloreto de paraquate n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico agrot\u00f3xico proibido na Europa, mas permitido no Brasil. Um levantamento da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Reforma Agr\u00e1ria (ABRA), apontou que cerca de 44% dos insumos qu\u00edmicos usados no Brasil n\u00e3o podem ser usados na Europa, mesmo que muitos deles sejam produzidos por empresas europeias, como a su\u00ed\u00e7a Syngenta e as alem\u00e3s Bayer e Basf, que juntas controlam 54,7% de toda a produ\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos no mundo.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maior parte dos insumos que partem da Europa para o Brasil e outros pa\u00edses em desenvolvimento, como a \u00c1frica do Sul e a \u00cdndia,<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/06\/multinacionais-da-europa-vendem-no-brasil-toneladas-de-agrotoxicos-altamente-perigosos-proibidos-em-seus-paises\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\"> <\/a><strong><a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/06\/multinacionais-da-europa-vendem-no-brasil-toneladas-de-agrotoxicos-altamente-perigosos-proibidos-em-seus-paises\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">s\u00e3o classificados como altamente perigosos<\/a> <\/strong>pelos padr\u00f5es impostos pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO),<strong> <\/strong>pois s\u00e3o potencialmente t\u00f3xicos para o sistema reprodutivo, podem causar altera\u00e7\u00f5es no DNA, serem cancer\u00edgenos ou fatais para abelhas e outros polinizadores. Al\u00e9m disso, a ONU relata que cerca de 200 mil pessoas morrem por intoxica\u00e7\u00e3o aguda de agrot\u00f3xicos todo ano, sendo que 90% dos \u00f3bitos ocorrem em pa\u00edses em desenvolvimento.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O herbicida atrazina, quarto agroqu\u00edmico mais utilizado no Brasil, \u00e9 um exemplo de agrot\u00f3xico considerado altamente perigoso. Assim como o fipronil, inseticida vendido pela Basf e banido da Uni\u00e3o Europeia em 2017, ap\u00f3s contaminar milh\u00f5es de ovos na B\u00e9lgica e na Holanda. No Brasil, o fipronil \u00e9 usado em planta\u00e7\u00f5es de soja, algod\u00e3o, batata e milho, mesmo tendo sido acusado de matar 500 milh\u00f5es de abelhas em 2018, ano em que foram usados 1,6 mil toneladas do pesticida nas planta\u00e7\u00f5es brasileiras. O carbendazim, vendido pela Bayer, tamb\u00e9m se enquadra como altamente perigoso. Apesar de ser amplamente utilizado em territ\u00f3rio brasileiro, est\u00e1 fora de circula\u00e7\u00e3o na Europa desde 2016, pois \u00e9 acusado de causar defeitos gen\u00e9ticos, prejudicar a fertilidade e contaminar corpos d&#8217;\u00e1gua. Em 2019, chegou a ser reavaliado pela Anvisa, mas esse \u00e9 um longo processo.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 em 2018, foram 449 agrot\u00f3xicos aprovados no Brasil, em 2019 esse n\u00famero subiu para 474 e, em 2020, 493. <strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/09\/17\/enquanto-camara-debate-menos-veneno-na-comida-governo-libera-mais-63-agrotoxicos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">\u201cQuando se fala em agrot\u00f3xico, estamos indo na contram\u00e3o\u201d, destaca a coordenadora da Campanha de Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o do Greenpeace, Marina Lacorte<\/a><\/strong>. Como alternativa ao uso de agroqu\u00edmicos e ao modelo do agroneg\u00f3cio, a <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/contraosagrotoxicos.org\/\" target=\"_blank\">Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos e Pela Vida <\/a><\/strong>luta a favor de uma agricultura agroecol\u00f3gica que, segundo a campanha, \u201c\u00e9 capaz de produzir alimentos de qualidade e em quantidade suficiente para alimentar a popula\u00e7\u00e3o mundial\u201d.\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa produ\u00e7\u00e3o <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/greennation.com.br\/en\/mundogreen\/agricultura-organica-e-agroecologia-o-veneno-ainda-esta-na-mesa\/\" target=\"_blank\">agroecol\u00f3gica <\/a><\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/greennation.com.br\/en\/mundogreen\/agricultura-organica-e-agroecologia-o-veneno-ainda-esta-na-mesa\/\" target=\"_blank\">est\u00e1<\/a> diretamente ligada \u00e0 agricultura familiar que, segundo o Censo Agropecu\u00e1rio, j\u00e1 \u00e9 respons\u00e1vel por 65% do abastecimento interno de alimentos no Brasil, mesmo que ocupem apenas 23% da \u00e1rea destinada \u00e0 agricultura, enquanto que, de acordo com o <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/fase.org.br\/pt\/acervo\/biblioteca\/dossie-critico-da-logistica-da-soja\/\" target=\"_blank\">Dossi\u00ea Cr\u00edtico da Soja<\/a><\/strong>, o crescimento do agroneg\u00f3cio tem provocado a estagna\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Isso se deve ao fato de que o agroneg\u00f3cio produz para exportar, tanto que suas principais culturas s\u00e3o soja, milho e algod\u00e3o, coincidentemente as que mais sofrem adi\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds. Em contrapartida, a agricultura familiar produz para o consumo interno, principalmente mandioca, milho, arroz e trigo, fazendo uso de t\u00e9cnicas milenares de cultivo que, na maioria das vezes, exclui o uso de agrot\u00f3xicos e outros qu\u00edmicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Maria Vit\u00f3ria de Moura \u00e9 matogrossense, colaboradora do Green Nation, graduanda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana e apaixonada pela escrita em todas as suas formas. <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/maria-moura-a3338b1a6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"LinkedIn (abre numa nova aba)\">LinkedIn<\/a>  <\/em><\/strong><\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":21413,"template":"","format":"standard","mundogreen_category":[203,193,196],"colunista":[],"odss":[182,183,189],"class_list":["post-21412","mundogreen","type-mundogreen","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","mundogreen_category-alertas","mundogreen_category-alimentacao","mundogreen_category-saude","odss-ods2","odss-ods3","odss-ods9"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/mundogreen\/21412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/mundogreen"}],"about":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/mundogreen"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21413"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"mundogreen_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/mundogreen_category?post=21412"},{"taxonomy":"colunista","embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/colunista?post=21412"},{"taxonomy":"odss","embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/odss?post=21412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}