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Essas \u00e1reas \u00famidas s\u00e3o extremamente importantes para a biodiversidade, pois, abrigam um grande n\u00famero de esp\u00e9cies end\u00eamicas. Al\u00e9m disso, ajudam no abastecimento de fontes de \u00e1gua doce, como os aqu\u00edferos, e s\u00e3o essenciais para a ameniza\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, j\u00e1 que algumas dessas \u00e1reas conseguem retirar uma grande quantidade de carbono da atmosfera.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de sua import\u00e2ncia nacional e internacional, a regi\u00e3o pantaneira v\u00eam sofrendo com o avan\u00e7o das pastagens, aumento das queimadas e com o descaso das autoridades. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), apenas no ano de 2020, ao incendiar 40% do bioma, as queimadas no Pantanal consumiram mais \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o que toda a devasta\u00e7\u00e3o do intervalo de 2000 a 2018, representando, tamb\u00e9m, um aumento de 200% em rela\u00e7\u00e3o aos inc\u00eandios de 2019. Ademais, em setembro deste mesmo ano, foram registrados 6.048 pontos de queimadas, um recorde mensal hist\u00f3rico. Muitos animais foram encontrados mortos devido ao fogo e os sobreviventes, geralmente machucados, perambulavam em busca de \u00e1gua e comida. &#8220;O fogo acabou com quase toda a reserva, eles n\u00e3o t\u00eam o que comer&#8221;, explicou Carla Sassi, veterin\u00e1ria que atua no Grupo de Resgate de Animais em Desastres (GRAD).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Andr\u00e9 Siqueira, bi\u00f3logo da ONG Ecoa, diz que a intensifica\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios em 2020 \u00e9 uma consequ\u00eancia da diminui\u00e7\u00e3o do escoamento dos rios, respons\u00e1veis por manter o solo inundado at\u00e9 pelo menos junho. &#8220;N\u00e3o tivemos o pulso da inunda\u00e7\u00e3o.\u0301 \u0301 Essa seca hist\u00f3rica se deve ao desequil\u00edbrio clim\u00e1tico e h\u00eddrico provocado pela destrui\u00e7\u00e3o do Cerrado e, em especial, da Amaz\u00f4nia, visto que os rios que correm pelo Pantanal t\u00eam suas cabeceiras nesses outros dois biomas. Assim, quando mais de 40% dessas nascentes n\u00e3o s\u00e3o preservadas, sofrendo com o desmatamento e a ocupa\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, forma-se um conjunto de elementos que levam \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos rios e impedem a inunda\u00e7\u00e3o do solo, deixando a regi\u00e3o mais prop\u00edcia a inc\u00eandios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O avan\u00e7o das pastagens no Pantanal \u00e9 outro fator ambiental importante para o aumento das queimadas. Para se ter uma ideia, 59,9% da \u00e1rea pantaneira perdida at\u00e9 2018 foi convertida em pastagem. Essa convers\u00e3o ocorre por parte dos pecuaristas, que trocam a vegeta\u00e7\u00e3o natural por uma mais resistente ao gado. No entanto, esses fatores clim\u00e1ticos apenas agravam e alastram as queimadas, pois a grande causa do in\u00edcio dos inc\u00eandios \u00e9 a a\u00e7\u00e3o humana. Uma investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal e do Governo de Mato Grosso vem procurando os fazendeiros que podem ter iniciado as chamas em 2020, por\u00e9m, at\u00e9 o momento, os inqu\u00e9ritos abertos n\u00e3o chegaram aos respons\u00e1veis .&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para 2021 as previs\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o diferentes. Apesar de o \u00edndice pluviom\u00e9trico entre dezembro e fevereiro ter sido dentro do padr\u00e3o, o Rio Paraguai, visto como o principal indicador h\u00eddrico da regi\u00e3o, t\u00eam apresentado uma recupera\u00e7\u00e3o lenta e, de acordo com a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas e Saneamento B\u00e1sico (ANA), a&nbsp; R\u00e9gua de Lad\u00e1rio, na base fluvial da Marinha em Corumb\u00e1 (MS), demonstra que o rio est\u00e1 em um n\u00edvel cr\u00edtico, assim como estava em 2020. Portanto, com a queda no n\u00famero de chuvas na regi\u00e3o Centro Oeste no per\u00edodo de fevereiro a abril e a previs\u00e3o de que as precipita\u00e7\u00f5es se normalizem apenas em junho, j\u00e1 no per\u00edodo de seca, fica cada vez mais prov\u00e1vel que em 2021 o Pantanal passe novamente por uma situa\u00e7\u00e3o de alerta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s queimadas. Contudo, mesmo com o risco de se repetir a trag\u00e9dia do \u00faltimo ano, poucas medidas foram tomadas para prevenir e combater as queimadas no pr\u00f3ximo per\u00edodo de seca, que vai de maio a outubro. \u201cO mais preocupante \u00e9 o atual desaparelhamento dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o\u201d, destaca o Bi\u00f3logo Luiz Antonio Solino, professor da Universidade de V\u00e1rzea Grande (Univag), em Mato Grosso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Especialistas consideram importante a forma\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de brigadas de inc\u00eandio do Centro Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Combate aos Inc\u00eandios Florestais (PrevFogo) espalhadas pelo territ\u00f3rio, a fim de diminuir a dist\u00e2ncia entre os brigadistas e os focos de inc\u00eandio, capilarizando as brigadas e, assim, facilitando seu deslocamento. A constru\u00e7\u00e3o de torres de observa\u00e7\u00e3o, investimentos na infraestrutura local, no treinamento e contrata\u00e7\u00e3o das equipes, compra de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (EPI \u0301 s) e de outros materiais importantes, tamb\u00e9m s\u00e3o apontados como essenciais na estrutura\u00e7\u00e3o de um plano para que o desastre do ano passado n\u00e3o se repita. Infelizmente, poucas destas a\u00e7\u00f5es est\u00e3o realmente sendo tomadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devido ao car\u00e1ter criminoso das queimadas, \u00e9 importante que as chamadas &#8220;queimadas controladas\u00b4\u00b4, pr\u00e1tica legal usada na limpeza do pasto, seja conduzida com a ajuda de brigadistas do PrevFogo e com a autoriza\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico, para que possa ser colocada em pr\u00e1tica de acordo com as medidas de seguran\u00e7a, impedindo que se perca o controle do fogo. A educa\u00e7\u00e3o ambiental de propriet\u00e1rios rurais e popula\u00e7\u00f5es locais \u00e9 imprescind\u00edvel nessa luta. Contudo, fiscalizar e punir a\u00e7\u00f5es irregulares \u00e9 fundamental para que a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade n\u00e3o incentive pr\u00e1ticas ilegais e desprotegidas. A conscientiza\u00e7\u00e3o acerca da import\u00e2ncia do Pantanal, de sua biodiversidade e da sua prote\u00e7\u00e3o deve ser a chave para mudar o cen\u00e1rio atual, mas a fiscaliza\u00e7\u00e3o e a estrutura\u00e7\u00e3o das brigadas \u00e9 uma forma de garantir que a cat\u00e1strofe da ignor\u00e2ncia humana n\u00e3o consuma, mais uma vez, a natureza pantaneira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Maria Vit\u00f3ria de Moura \u00e9 matogrossense, colaboradora do Green Nation, graduanda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana e apaixonada pela escrita em todas as suas formas.\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/maria-moura-a3338b1a6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">LinkedIn<\/a> <br><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":21376,"template":"","format":"standard","mundogreen_category":[203,196,156],"colunista":[],"odss":[183,177,179],"class_list":["post-21375","mundogreen","type-mundogreen","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","mundogreen_category-alertas","mundogreen_category-saude","mundogreen_category-tendencias","odss-ods3","odss-ods13","odss-ods15"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/mundogreen\/21375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/mundogreen"}],"about":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/mundogreen"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"mundogreen_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/mundogreen_category?post=21375"},{"taxonomy":"colunista","embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/colunista?post=21375"},{"taxonomy":"odss","embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/odss?post=21375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}