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J\u00e1 nessa \u00e9poca, a reforma era associada ao melhor manejo do solo e vista como solu\u00e7\u00e3o para a destrui\u00e7\u00e3o ambiental dos latif\u00fandios. Junto \u00e0 crescente onda popular pela redistribui\u00e7\u00e3o de terras, foi publicado, em 1965, por Artur e Ana Primavesi, uma obra pioneira orientadora ao manejo ecol\u00f3gico do solo. Essa obra deu in\u00edcio a um movimento cr\u00edtico que fez emergir diversas vertentes da agricultura alternativa, entre elas, a agroecologia.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1984, surge o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Nos primeiros 15 anos, o movimento j\u00e1 reconhecia que a luta pela conquista do territ\u00f3rio tinha uma liga\u00e7\u00e3o social muito importante com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e o cuidado com a natureza. Por\u00e9m, nesse per\u00edodo as pr\u00e1ticas adotadas pelos assentados estavam, ainda, muito voltadas para a Revolu\u00e7\u00e3o Verde, m\u00e9todo dominante no Brasil e em grande parte do mundo at\u00e9 o momento. Esse cen\u00e1rio come\u00e7a a mudar no in\u00edcio dos anos 2000, quando, atrav\u00e9s de semin\u00e1rios, interc\u00e2mbios, brigadas internacionalistas e parceria com institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino e extens\u00e3o rural, o MST expandiu sua consci\u00eancia coletiva e o conhecimento acerca da agroecologia. Com isso, a soberania alimentar e as pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas aparecem como pauta no IV Congresso Nacional do movimento, em 2000, e passa por uma maior consolida\u00e7\u00e3o nos dois congressos seguintes.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir disso, o MST reconhece que uma reforma agr\u00e1ria s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com as fam\u00edlias assentadas e acampadas assumindo a tarefa de produzir alimentos saud\u00e1veis, diversificados e com pre\u00e7o justo para produtores e consumidores. Assim, forma-se a chamada Reforma Agr\u00e1ria Popular, uma articula\u00e7\u00e3o entre agricultores e a classe trabalhadora urbana. \u00c9 criado ent\u00e3o o objetivo de habilitar t\u00e9cnicos populares que dominassem os conceitos da agroecologia e colocassem em pr\u00e1tica. Para isso, surgiu a rede de Institutos Latino Americanos de Agroecologia (IALAs), sendo que a primeira Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA) foi fundada no Paran\u00e1 em 2005. Desde ent\u00e3o, emergiram mais de 40 cursos voltados para a forma\u00e7\u00e3o de Tecn\u00f3logos em Agroecologia, situados em v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds.&nbsp;&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s 20 anos incorporando os saberes agroecol\u00f3gicos a suas planta\u00e7\u00f5es, o MST alcan\u00e7ou, conforme o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o papel de maior produtor de arroz agroecol\u00f3gico da Am\u00e9rica Latina. Para ter uma ideia, em fevereiro de 2020, abrangendo 14 assentamentos situados em 11 munic\u00edpios ga\u00fachos, a estimativa era colher mais de 300 mil sacas do gr\u00e3o. Essa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por grande parte do abastecimento interno no Brasil, incluindo a destina\u00e7\u00e3o para as merendas escolares atrav\u00e9s&nbsp; do Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE). Al\u00e9m disso, 30% da colheita \u00e9 exportada para pa\u00edses como Estados Unidos, Alemanha, Nova Zel\u00e2ndia, Chile e M\u00e9xico. O jornal franc\u00eas Le Monde definiu, em janeiro deste ano, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra como &#8220;Campe\u00f5es de arroz agroecol\u00f3gico&#8221;.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a pandemia do Coronav\u00edrus, o MST doou mais de 2,3 toneladas de alimentos para pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. A experi\u00eancia do MST \u00e9 um exemplo de que a agroecologia \u00e9 vi\u00e1vel, sendo uma alternativa mais barata, saud\u00e1vel e ambientalmente segura ao agroneg\u00f3cio, mas tamb\u00e9m \u00e9 um lembrete de que mudan\u00e7as n\u00e3o ocorrem da noite para o dia.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Maria Moura (Colaboradora Green Nation)<\/em><\/strong><\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":21255,"template":"","format":"standard","mundogreen_category":[193,192,196],"colunista":[],"odss":[173,182,183,174,175,176],"class_list":["post-21254","mundogreen","type-mundogreen","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","mundogreen_category-alimentacao","mundogreen_category-iniciativas","mundogreen_category-saude","odss-ods1","odss-ods2","odss-ods3","odss-ods10","odss-ods11","odss-ods12"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/mundogreen\/21254","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/mundogreen"}],"about":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/mundogreen"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21255"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"mundogreen_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/mundogreen_category?post=21254"},{"taxonomy":"colunista","embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/colunista?post=21254"},{"taxonomy":"odss","embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/odss?post=21254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}