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Um ano que vai gerar muitas pesquisas, an\u00e1lises, monografias de mestrado e teses de doutorado. Por v\u00e1rios \u00e2ngulos, v\u00e1rias \u00e1reas, 2020 ser\u00e1 dessecado e estudado e com certeza vai gerar muitas novas compreens\u00f5es do comportamento humano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Vivemos grande parte do ano nas janelas e acabamos por am\u00e1-las, j\u00e1 que atrav\u00e9s delas pod\u00edamos perceber as pessoas, ver sorrisos e emo\u00e7\u00f5es, as paisagens e infelizmente as destrui\u00e7\u00f5es que promovemos. Nas ruas as m\u00e1scaras come\u00e7aram a desfilar e como n\u00e3o poderia deixar de ser viraram acess\u00f3rios fashion. As trag\u00e9dias que se revelaram estavam por a\u00ed, nos cutucando todos esses anos, mas distra\u00eddos pouco percebemos. Como o sinal de \u201cPARE\u201d, que 2020 nos trouxe, pudemos nos dar conta de como o projeto da humanidade, em especial nos \u00faltimos 40 anos foi s\u00f3 destruir tudo que tem vida!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Consumimos tudo! Explodiram nas janelas o fogo que se alastrou pelas florestas, os animais feridos, a mis\u00e9ria humana, que s\u00f3 aqui no nosso quintal, revelou 20 milh\u00f5es do que chamaram de invis\u00edveis. Sim para a maioria dos adormecidos e antropoc\u00eantricos humanos, tudo caminhava bem antes da crise na sa\u00fade. S\u00f3 que n\u00e3o&#8230; a sa\u00fade mostrou a complexidade das nossas m\u00faltiplas crises. Grandes descobertas tecnol\u00f3gicas, a ilus\u00e3o de um conforto, nunca dantes oferecido para a parcela elegante da sociedade, os buscadores da meritocracia, os investidores de pap\u00e9is, os industriais do crescimento a qualquer custo, enfim os consumidores. Os invis\u00edveis estarreceram o Brasil. Seres, criaturas e n\u00e3o cidad\u00e3os, que n\u00e3o tinham CPF, n\u00e3o sabiam lidar com aplicativos, mas que a coisa ia al\u00e9m &#8230; n\u00e3o tinham carteira de identidade e muitos nem registro de nascimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Como n\u00e3o vimos? Como os que viram n\u00e3o conseguiram gritar: Olhem bem!! E assim foi com tudo. Grileiros, sem nenhum respeito pelas entranhas da m\u00e3e terra, e distribuidores de queimadas, afetaram invis\u00edveis por escolha, que s\u00f3 queriam a paz da conversa com suas \u00e1rvores, seus rios, e pela vida do entorno. &nbsp;As \u00e1rvores que queimaram deixaram o solo seco e quente, queimando as patas de nossos felinos, matando aves e outros animais. Mataram animais vis\u00edveis e os milhares seres de vida invis\u00edveis. Contribu\u00edram para a diminui\u00e7\u00e3o da vida na terra. &nbsp;Foram tantas barbaridades e especialmente no Brasil fomos premiados&#8230; tivemos uma conviv\u00eancia for\u00e7ada com o diabo, assistimos a um festival de crueldades espalhadas pelos assistentes do diabo, cerca de 30% da popula\u00e7\u00e3o. Eles estar\u00e3o por aqui em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Que maravilhoso seria, se amanh\u00e3, com a chegada do ano novo tudo ficasse para tr\u00e1s! Mas n\u00e3o ser\u00e1 assim! Para n\u00f3s, que escolhemos, j\u00e1 h\u00e1 d\u00e9cadas, ser os despertadores de futuros, o cen\u00e1rio que vai permanecer \u00e9 o da luta. Encontrar formas eficazes de manter nossa consci\u00eancia e de qualquer forma conseguir expandir consci\u00eancias, onde houver espa\u00e7o pulsante e f\u00e9rtil. Na nossa casa as janelas continuar\u00e3o a desenhar nossas a\u00e7\u00f5es dentro das empresas, das comunidades e coletivos, que descobriram as lives e com elas seguir\u00e3o. A solidariedade que ganhou gest\u00e3o nas favelas e periferias continuar\u00e1 lutando pela vida. As janelas revelaram cientistas bons de conversa. Creio que todos aprendemos muito. Tr\u00eas \u00e1reas ser\u00e3o muito comentadas nos livros do futuro: os profissionais de sa\u00fade e da ci\u00eancia e os profissionais da cultura. Os da sa\u00fade n\u00e3o puderam ainda escrever, n\u00e3o sobrou tempo para eles! Falaram muito, n\u00e3o perderam a oportunidade de esclarecer a sociedade enfrentando a ignor\u00e2ncia que nos dominou. Salvaram vidas, muitas vezes perdendo as suas. Os cientistas ganharam cara e nome saindo das suas cavernas. E os da cultura, mesmo sem recurso, escolheram iluminar nossas almas pelas janelas e varandas reais e virtuais, e assim puderam vazar fronteiras e mostrar o coletivo da nossa humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Vivemos. Conseguimos, apesar de tudo, viver. &nbsp;Eles v\u00e3o contar, cada um de n\u00f3s poder\u00e1 contar, mas nada substitui a experimenta\u00e7\u00e3o. E n\u00f3s experimentamos. Mais ou menos como falar da ditadura para os jovens de hoje. Eles \u00e0s vezes escutam com aten\u00e7\u00e3o, balan\u00e7am a cabe\u00e7a, mas olhando para os olhos deles entendemos o qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 perceber a experi\u00eancia do outro! Posso imaginar que a cultura vai contar atrav\u00e9s de filmes, pinturas, m\u00fasicas, teatro e tudo o mais, ajudando aos que n\u00e3o viveram perceber que aqui e agora recebemos um recado que gritou na nossa cara: mudem, transformem tudo! Est\u00e1 tudo errado porque os alicerces foram constru\u00eddos sem a base vida. Salvem a vida! E talvez a gente possa escutar a experi\u00eancia das crian\u00e7as e dos jovens que viveram 2020. Estranho porque viveram, n\u00e3o vivendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>A lua cheia est\u00e1 aqui escancarada no jardim que me acolheu desde mar\u00e7o, onde todas as viv\u00eancias se esparramaram. Chegue 2021, mas chegue devagar, para que a gente n\u00e3o crie muitas expectativas, para que a gente possa perceber que um ano novo, para ser mesmo novo, precisa de gente nova, renovada, que fa\u00e7a outras escolhas. Que saiba como expulsar a crueldade, sim &#8230; porque a crueldade alinhavou 2020. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(Texto de <a href=\"https:\/\/greennation.com.br\/en\/nadiareboucas\/\">N\u00e1dia Rebou\u00e7as<\/a>, colunista Green Nation)<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":21214,"template":"","format":"standard","mundogreen_category":[171,157,195,192,156],"colunista":[206],"odss":[182,183,174,175,176,177,179,180],"class_list":["post-21213","mundogreen","type-mundogreen","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","mundogreen_category-colunistas","mundogreen_category-comportamento","mundogreen_category-green-nation","mundogreen_category-iniciativas","mundogreen_category-tendencias","colunista-nadia","odss-ods2","odss-ods3","odss-ods10","odss-ods11","odss-ods12","odss-ods13","odss-ods15","odss-ods16"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/mundogreen\/21213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/mundogreen"}],"about":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/mundogreen"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21214"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"mundogreen_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/mundogreen_category?post=21213"},{"taxonomy":"colunista","embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/colunista?post=21213"},{"taxonomy":"odss","embeddable":true,"href":"https:\/\/greennation.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/odss?post=21213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}