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Lixo na praia: vamos mudar esta situação?


Basta termos cuidado, respeito e um olhar de oportunidade.

No último artigo mostrei pra vocês como tudo na vida pode ter um LADO BOM e um LADO RUIM e que é simplesmente uma questão de ponto de vista, escolhas e atitudes.

O lixo que fica na areia da praia, pode ser carregado para o mar, e com isto, contaminar os oceanos, matar os peixes e ainda voltar para nós na barriga do bacalhau que comemos na Páscoa......

Entretanto, você sabia que o que chamamos de “lixo” pode ser transformado em novos produtos se for tratado da maneira correta. E ai?  Vamos mudar esta situação?

 

O tamanho do desafio

A Global Ocean Commission é uma organização global que foi criada em 2013 para estudar a degradação dos oceanos. O problema do lixo plástico é um dos pontos estudados e de acordo com estatísticas da UNEP o material que conseguimos ver flutuando no mar representa apenas 15% da quantidade de plástico nos mares. Outros 15% estariam abaixo da linha do mar e os 70% restantes nem conseguimos ver, pois já estão no fundo do mar.

Além disso, a pesquisa mostrou que 80% dos resíduos vem das atividades humana nas cidades costeiras e a má gestão de resíduos. Sendo assim, o problema tem que ser resolvido por nós, nas cidades e em nossas casas, onde a geração de resíduos ocorre.

Portanto, o LADO RUIM pode ser transformado em LADO BOM na medida que o "lixo" é adequadamente disposto, coletado e processado para ser transformado em produtos novamente.

 

Produtos circulares: a transformação do lixo

 

A economia circular estabelece uma nova visão de crescimento, com diferentes modelos de negócio, novos materiais e fontes energéticas, novas formas de produzir, consumir e se relacionar.

As garrafas PET podem virar lindas cadeiras nas mãos de designers como o Philipe Starck que desenhou uma cadeira para a Coca-Cola com 22 garrafas PET. Provavelmente, você já foi aos restaurantes do Lagoon no Rio de Janeiro e nem percebeu onde estava sentado!

O lixo retirado do mar pode virar embalagem de novo na visão de empresas como a Ecover que criou o “plástico dos mares” (marine plastic, em inglês). As embalagens retiradas do oceano foram transformadas em novas embalagens para promover uma nova linha de detergentes orgânicos. A empresa holandesa Plastic Whale também inovou produzindo skates feitos de tampas de garrafa PET retiradas dos canais de Amsterdan - Wasteboards.

E as redes de pesca abandonadas no fundo do mar? Estas também podem matar os peixes ou podem ser coletadas e re-trabalhadas para também virar skates nas mãos dos designers da Bureo ou em tênis no trabalho da Parley for the Oceans para a Adidas.

Este é o resultado de um olhar transformador, uma visão de oportunidade da nova economia circular que promove novos mercados, gera empregos e o desenvolvimento de novos materiais e produtos.

Então ao final do pôr do sol, bata palma, tire seu selfie e leve seu lixo com você e coloque no local correto para ser levado para a reciclagem. Você estará contribuindo para gerar novos materiais, novos produtos e ainda deixar a praia limpa :)

 

Ecover

Plastic Whale

 

 

 


29 de abril de 2016

Beatriz Luz

Beatriz Luz

Especialista em Sustentabilidade estratégica e Economia Circular com mais de 10 anos de experiência na Inglaterra. Nos últimos 5 anos atuou na Odebrecht Ambiental e Braskem e teve um papel importante na disseminação do conceito de ACV no Brasil ...

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